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Por que tão logo não haverá uma revolução na transmissão ao vivo dos eventos esportivos

por dionei

Por Nicolas Willson

A capacidade de transmitir eventos esportivos ao vivo existe há anos. Hoje você pode facilmente ir ao website de uma rede de televisão como a ESPN ou a NBC, sintonizar usando a sua subscrição a cabo, e assistir eventos esportivos no seu computador1.

O jogo de futebol americano das quintas-feiras à noite da semana passada (15/09) foi diferente. Ele estava no Twitter – e você nem mesmo precisava ter uma conta para assistir. Usando um bom serviço como a Apple TV, Amazon Fire, ou Xbox One, você podia assistir um jogo da NFL na sua televisão, sem a necessidade de uma subscrição a cabo.

Anteriormente, neste ano, foi relatado que o Twitter pagou 10 milhões de dólares pelos direitos globais de transmitir ao vivo 10 jogos de futebol americano da NFL, dos que são realizados nas quintas-feiras à noite. O Twitter também fez um acordo para fazer transmissões ao vivo da NBA através da plataforma desta mídia social, excluindo conteúdo original criado pela liga (embora esse acordo não inclua jogos). E, há alguns meses, o Twitter transmitiu ao vivo de Wimbledon, embora aqui, o valor envolvido tenha sido pouco mais que o de um teste, se comparado ao gigante que é a NFL.

Claramente, esta plataforma está tentando trazer o apelo aos esportes ao vivo online – uma das poucas vantagens remanescentes da televisão sobre o vídeo digital. Mas, é este último esforço do Twitter o começo de uma nova era nos esportes ao vivo, ou tem muito a ver com nada?

O experimento de transmissão ao vivo

Mark Donnigan, o Vice-Presidente de Marketing da Beamr, um software de compressão para transmissão ao vivo, acredita que os acordos são uma tendência mais temporária para vencer uma pequena guerra de vídeo digital, que uma transição em grande escala dos esportes ao vivo para as plataformas sociais.

“As plataformas da nova mídia estão usando esses acordos de conteúdo como uma maneira de fazer alarido, ou para estabelecer os seus próprios esforços de vídeo”, disse-me Donnigan. “Nesse contexto, todos esses acordos são apenas pontuais”.

Não é a primeira vez que uma plataforma digital licenciou os direitos de transmissão de eventos esportivos. No ano passado, a Yahoo transmitiu ao vivo um jogo de futebol americano de uma quinta-feira à noite, realizado em Londres, que foi pouco mais que um chamariz, e que obteve classificações extremamente baixas em comparação com um típico jogo da NFL. O Twitter não se saiu muito melhor: uma média de apenas 243.000 pessoas assistiu ao jogo na semana passada, comparadas com 15,4 milhões que assistiram à versão televisada na CBS e na Rede da NFL.

Embora o Twitter possa transmitir gratuitamente ao vivo alguns jogos da NFL este ano, “não é sustentável ter a NFL no Twitter” disse Donnigan. “Se alguém for um real fã do futebol, americano, é impossível assistir aos jogos no Twitter ou no Yahoo. Se você for um real fã, você precisará pagar uma subscrição de TV”. Por exemplo, se você for fã dos Jets e assistiu aquele jogo contra os Bills no Twitter, você não verá outro jogo nesta temporada em transmissão gratuita ao vivo. Donnigan acha que a TV tradicional não tirará as suas garras da transmissão ao vivo dos esportes por um longo tempo, apesar da propaganda exagerada em volta do corte de cabos e das mudanças feitas por plataformas como o Facebook e o Twitter. “Tudo se resume a dólares, centavos e advogados”, disse ele.

Os donos dos direitos de transmissão (equipes esportivas e as ligas) têm contratos de longo prazo – e relacionamentos com as redes – que existem há décadas. Desde o início da temporada da NFL de 2014, quando os acordos mais recentes foram assinados, os jogos regulares da temporada foram transmitidos por cinco redes: CBS, Fox, NBC, ESPN e a Rede da NFL. O atual contrato tem duração até 2022, e as redes pagarão 39,6 bilhões de dólares pelos direitos de transmissão nesse período.

A programação de esportes em 2014-2015 gerou 8,47 bilhões de dólares em vendas para CBS, Fox, NBC e ABC (ESPN), de acordo com com estimativas da Kantar Media. Isto é 37 por cento da receita publicitária do total das quatro grandes nesse período.

Em outras palavras, a concorrência do Twitter e de outras plataformas pelo conteúdo ao vivo dos esportes em suas plataformas terá que dar uma séria trombada, para competir com as redes de TV estabelecidas. E isto pode ser parte do plano da NFL. Num perfil recente da Fast Company sobre as ambições pelas transmissões ao vivo, John Ourand, um repórter de mídia do Sports Business Journal, ressaltou o ponto que a liga pode estar usando o Twitter como uma maneira de criar uma guerra de concorrência ainda mais competitiva, para quando os atuais contratos terminarem. Ele disse que a NFL está “tentando dar a essas empresas digitais um gostinho do poder da programação da NFL. Eles esperam que elas fiquem viciadas e voltem”.

De uma maneira geral, parece que as pessoas que usaram o Twitter para transmitir o jogo tiveram uma experiência positiva. As redes sociais podem oferecer algumas características únicas para a experiência visual: as pessoas que assistiram ao jogo no Twitter foram capazes de seguir um feed de comentários ao vivo próximo do aparelho de vídeo.

E uma experiência ainda mais coerente entre o Twitter – onde as pessoas frequentemente tuitam ao vivo sobre eventos esportivos – e os próprios jogos, pode ser uma experiência divertida para o usuário, que a TV tradicional teria muita dificuldade para igualar.

Investindo em tecnologia

Mesmo que as redes de TV estejam seguras no curto prazo, elas não estão complacentes em deixar que as empresas de tecnologia levem vantagem quando se tratar de transmissão ao vivo. As redes já estão se preparando para uma época quando as pessoas assistirão eventos esportivos através de aplicativos, ao invés de no sistema a cabo. Um relatório da eMarketer do final de 2015, prevê que os subscritores domésticos dos Estados Unidos dos serviços a cabo e via satélite cairão abaixo dos 100 milhões de dólares no final de 2016. Haverá 5,5 milhões de cortes de cabo em 2016, aumentando para projetados 8,4 milhões em 2019. Isto significa que as empresas de TV tradicional precisarão investir em tecnologia de transmissão ao vivo, ou arriscar ficar para trás.

No mês passado, a Disney pagou 1 bilhão de dólares por uma parcela de 33 por cento da unidade de transmissão de mídia da BAMTec da Major League Baseball, e, com isso, anunciou que a ESPN está planejando lançar a subscrição para um novo serviço de transmissão (a Disney é dona da ESPN e da ABC). O serviço direto ao consumidor destacará conteúdo da BAMTech e da ESPN, e está preparado para ser lançado no final de 2016, com eventos esportivos regionais, nacionais e internacionais.

Mas, os subscritores apenas terão acesso à programação original de esportes menos populares como rugby, cricket e tênis. Nada que aparece na rede a cabo da ESPN estará disponível para ser transmitido através desse serviço.

O investimento na BAMTech dá à empresa um ponto de apoio nos serviços de transmissão ao vivo, e, criticamente, dá à Disney a opção de minar os provedores de serviços a cabo, oferecendo a ESPN diretamente aos consumidores, se o mercado mudar.

“Como uma empresa, a nossa maior prioridade é trabalhar para ter certeza que o pacote (de TV paga) seja saudável ao criar valor para a nossa empresa”, disse o Presidente e CEO da Disney, Bog Iger, à CNBC, no mês passado. “Se o modelo de negócio que é apoiar essas propriedades da grande mídia começar a se desgastar de maneira significativa, nós temos a capacidade de rodar rapidamente e lançar um produto diretamente ao consumidor para, potencialmente, substitui-lo ou suplanta-lo… É nossa esperança que isto não aconteça, mas, se acontecer, isto certamente nos colocará numa boa posição”.

Nós estaremos logo assistindo ao Super Bowl no Twitter ou na Apple TV? Quem sabe? Entretanto, uma coisa que sabemos é que os gigantes da TV não se ajoelharão tão facilmente.

1 É claro, supondo que o jogo não esteja na lista negra.

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Sobre o autor: Nicolas Willson é um jornalista graduado pela Universidade de Columbia.

Fonte: The Content Strategist

Tradução: Fernando B. T. Leite

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